Diferença salarial entre gêneros piora em 2016 e igualdade só deve ser atingida em 170 anos

Um relatório publicado no começo deste ano pelo Fórum Econômico Mundial (FEM) mostra que 2016 não foi nada bom quando são analisados os índices de desigualdade de remuneração entre homens e mulheres. De acordo com o documento, seguindo o mesmo ritmo de hoje, a equidade de salários entre os gêneros só aconteceria daqui a 170 anos. Até o final de 2015 esse prazo era de 70 anos, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), sendo que a diferença salarial entre gêneros diminuiu apenas 0,6% desde 1995.
Para a jornalista Viviane Duarte, fundadora do projeto Plano Feminino, que faz pesquisas para entender como os executivos tratam a equidade de gênero dentro das empresas, o que sempre existiu no ambiente profissional foi a questão do machismo, manifestado por meio da reprodução estereótipos e por processos de degradação da mulher dentro do mundo corporativo. Na visão do mercado a mulher não serve para comandar uma equipe. Ela tem um perfil mais ameno de cuidado, não tem a força de um líder.
— Dentro de tudo que a gente tem vivido nos últimos anos, é só a partir dos anos 80 que a mulher vai para o mercado de trabalho lutando por melhores salários. A gente percebeu que as mulheres começaram a conquistar cargos de liderança, mas ainda com uma deficiência de salário de 30%. Nos cargos de liderança de conselho, as mulheres ocupam apenas 3% dessas vagas.
Embora essa luta ocorra desde 1980, Viviane explica que foi somente em 2010 que as mulheres perceberam que não havia a necessidade de se masculinizar para mostrar que o feminino tem poder para buscar essa equidade.
— É uma corrida contra o tempo, na verdade, porque são muitos anos de opressão. Por muitos anos a mulher ficou sem voz e não podia discutir isso de forma transparente como a gente tem feito hoje. Muitos executivos ainda falam que é “mimimi”, que a mulher engravida, que ela tem filhos, que ela não poder ser vista como homem dentro da empresa. Não, a mulher tem que ser vista como uma igual. Independente se ela gera um filho ou não, ela tem que ter um direito dela. É que sempre ficou atrelado à mulher o cuidado com a casa, com filhos, e tudo isso foi diminuindo nosso valor no mundo corporativo.
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No Brasil, dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) realizada pelo IBGE, referente ao 4º trimestre de 2016, mostram que o salário médio real efetivamente recebido pelo trabalho principal dos homens é de R$ 2.245 e o das mulheres, de R$ 1.779. Esses valores foram calculados com informações de pessoas de 14 anos ou mais e, por meio da análise dos números, é como se as mulheres trabalhassem "de graça" a partir de outubro e recebessem por 289 dos 365 dias do ano se tivessem a mesma remuneração diária dos homens.
Dia Internacional da Mulher
Como uma forma de combater essa desigualdade, a ONU Mulheres definiu que o Dia Internacional da Mulher será marcado pelo tema "As mulheres no mundo do trabalho em transformação: por um planeta 50-50 em 2030", com objetivo de dar passos decisivos para a equidade de gênero.
Apesar do cenário negativo, a representante da organização no Brasil, Nadine Gasman, afirma que, além da comemoração da data, o 8 de março deve ser servir também como uma data de conscientização da sociedade para o desenvolvimento de mundo sustentável que seja bom tanto para homens quanto para mulheres.
— Nós estamos em um momento que as revoluções tecnológica e digital têm aberto portas para muita gente, mas as empresas ainda não têm respondido aos esforços das mulheres conquistar os mesmos direitos que os homens dentro das empresas. O que a gente precisa é que políticas macroeconômicas seham criadas para que o empoderamento feminino melhore na economia.
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Segundo a fundadora do Plano Feminino, esse cenário, no entanto, já aponta para uma perspectiva de mudança, o que é perceptível principalmente pelas publicidades das grandes marcas de produtos na televisão.
— Tratar a equidade de gênero de uma forma racional é importante para as empresas porque a partir de agora esse tema vai ser muito discutido. A mulher entendeu o papel dela a sociedade, a força dela. Hoje o público feminino é responsável por até 85% do poder de compra no mercado em relação a todos os segmentos.
Um estudo do Instituto Global McKinsey (MGI) revela que a desigualdade de gênero não é só um problema moral e social, mas também um grande de desafio para a economia. De acordo com o relatório, o avanço de políticas de paridade salarial entre homens e mulheres poderia aumentar o Produto Mundial Bruto em 11% até 2025, o que significa a injeção de cerca de US$ 12 trilhões (R$ 37,3 trilhões).
Ativismo de famosos
Fora das empresas a discussão também ganhado mais espaço, sobretudo no meio artístico. Um dos episódios envolveu a atriz Robin Wright, que a interpreta a personagem Claire Underwood em House of Cards, da Netflix.
Responsável por um dos papeis mais importantes, ao lado de Kevin Spacey, em maio do ano passado Robin decidiu pressionar os criadores da ficção para que ela ganhasse o mesmo salário do ator que interpreta seu marido na trama.
O tapete vermelho do Oscar 2016 também foi palco de uma série de manifestações em defesa da igualdade de gênero.
Por meio de uma campanha na internet com o nome de AskHerMore (Pergunte Mais a Ela, em tradução livre), as atrizes se queixaram da forma como elas eram entrevistadas durante a cerimônia.
Enquanto os questionamentos direcionados aos homens envolviam assuntos como o roteiro e a fotografia dos filmes e a carreira deles, as perguntas para as mulheres abrangiam somente questões relacionadas à beleza, como o modelo dos vestidos e o motivo de elas estarem magras ou gordas demais.
A demanda era para que as perguntas fossem melhores e elas também começassem a ser vistas como profissionais da arte e da cultura.
Fonte: R7.com

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