Operação da PF em frigoríficos coloca carne brasileira sob suspeita

As denúncias de que grandes frigoríficos brasileiros — pertencentes a algumas das maiores empresas do ramo no mundo — estavam pagando propina para manter uma produção irregular põe a carne brasileira sob suspeita, tanto de consumidores domésticos quanto de exportadores. 
A Polícia Federal investigou cerca de 40 empresas. Nesta sexta-feira (17), quando foi deflagrada a Operação Carne Fraca, o delegado responsável, Maurício Moscardi Grillo, destacou que em todas elas "tinham problemas sérios". 
— É possível que a gente tenha consumido produtos de baixa qualidade, no mínimo. Senão estragada, de qualidade inferior àquela que deveria ter sido fornecida. 
Multinacionais como a JBS (dona das marcas Friboi, Seara e Swift) e a BRF (dona da Sadia, Perdigão) são citadas nas investigações. Ambas ainda não se manifestaram. 
A Polícia Federal chegou a pedir o fechamento de uma unidade da BRF em Mineiros (GO), mas que foi indeferida pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva. Antes de qualquer decisão desse tipo, ele preferiu remeter o tema ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
A denúncia envolvendo a BRF em Goiás envolve a exportação de carne contaminada.
Os investigadores interceptaram ainda, com autorização da Justiça, ligações de um diretor da BRF (dona das marcas Sadia e Perdigão), André Baldissera, sobre a necessidade de intervir no Sipoa-GO (Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal em Goiás) para evitar a interrupção das operações da empresa em Mineiros.
O executivo ainda fala com outros dois homens sobre a retenção de contêineres da BRF com produtos exportados para a Europa. Eles conversam sobre o fato de autoridades sanitárias daquele continente terem identificado traços da bactéria conhecida como salmonella nos produtos enviados.
A salmonella é responsável por causar problemas gastrointestinais, como a infecção alimentar, que tem como sintomas febre, diarreia e vômito.
Ao longo da investigação foi apurado que frigoríficos pequenos e grandes, como Seara e BRF (Sadia e Perdigão) cometeram diversas irregularidades.
Porém, o despacho judicial destaca que (nem todos cometem todas as irregularidades adiante): reembalagem de produtos vencidos; excesso de água; inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas; assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do Mapa, sem checagem in loco; venda de carne imprópria para o consumo humano; uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo pelo consumidor.
Em um caso ainda mais assustador, os donos do frigorífico gaúcho Peccin, falam sobre usar cabeça de suíno para produzir linguiça calabresa, o que eles mesmo admitem ser proibido.
"A conclusão a que se chega é a de que a menor das preocupações que possuem é a de inspecionar a adequação aos parâmetros de qualidade dos produtos que depois serão consumidos por brasileiros e, nos casos de exportação, por estrangeiros. A finalidade
principal evidenciada nos relatórios policiais de monitoramento telefônico é a de obter benefícios pessoais de todas as espécies dos 'fiscalizados'. Vão de somas maiores e menores de dinheiro e passam por caixas de carnes, frango, pizzas, ração para animais, embutidos, favores diversos (de obtenção gratuita de botas e roupas de trabalho a apoio para familiar fazer teste em ecola de futebol), viagens, etc.", diz o juiz federal no despacho.
O delegado da PF, no entanto, ressalta que alguns dos fiscais corruptos que permitiam que empresas operassem na ilegalidade não tinham coragem de consumir as cestas de produtos que ganhavam. 
Fonte: R7.com
Foto: Rogério Cassimiro/Folhapress - 26.08.2008



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