Risco de hiperinflação na Argentina coloca governo Macri em estado de alerta

Passado pouco mais de um ano de governo, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, chega a uma encruzilhada. O ano de 2017 será crucial para que ele mantenha a confiança da população argentina, confiança esta abalada pelos resultados da economia que, bem ao contrário do que ele havia prometido assim que assumiu, ainda estão preocupantes.
A principal preocupação, no momento, é a inflação, que, ao atingir 41% no total de 2016, não só se configurou em um número pelo menos 16% acima do previsto como se tornou um dos três maiores índices dos últimos 25 anos. De acordo com especialistas locais, a situação gerou insatisfação e alerta no governo, que demitiu o então ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, no fim de dezembro último.
O país tem um histórico de hiperinflação que ainda traumatiza a população. Em 1975, o fenômeno ocorreu no governo de Isabelita Perón; em 1989, no fim do governo de Raúl Alfonsín e em 2001, durante a presidência de Fernando de la Rúa. Em nenhum dos casos os governos se sustentaram.
Para alguns analistas, o alto déficit fiscal do país, sustentado por um intenso endividamento, seguindo o perfil neoliberal do governo, pode, em um prazo mais longo, gerar uma hiperinflação. É o que pensa, por exemplo, o diretor da consultoria argentina Economia e Regiones, Diego Giacomini.
— No curto prazo a inflação será controlada, mas o problema de fundo é o déficit fiscal, que em 2016 foi maior do que em 2015. Assim, se deixarem de nos emprestar dinheiro a inflação poderá subir intensamente.
Segundo Giacomini, a Argentina está transitando em um caminho perigoso, já que, quando se adota metas inflacionárias, como faz o atual governo, é necessário um mínimo de equilíbrio fiscal e, segundo ele, o país está muito longe disso.
— Considero perigoso ficar dependente dos emprésitmos internacionais. Os juros nos Estados Unidos hoje estão em 0,75%, vão ficar 1,5% no fim do ano, 1,75% no ano seguinte e 2,5% no outro. A estatégia de ficar com uma dívida quando a dívida está ficando cada vez mais cara é, sem dúvida, um problema.
Além disso, apontando que o déficit fiscal está em 4,8% do PIB, o governo acaba se baseando em um número enganoso, que não inclui os juros da dívida, segundo o economista. Para ele, a base de análise deveria ser feita em cima do chamado déficit nominal, que inclui juros e qualquer correção monetária, para se perceber que o governo não tem conseguido controlar os gastos.
— O problema é que as metas fiscais da Argentina são metas de déficit primário, sem os juros da dívida. É outro erro, tem de ter como meta e referência de dados o déficit total (nominal), não o primário.
Recuperação e metas
Há, porém, aqueles que veem o ciclo inflacionário prestes a ser controlado. Na opinião de Dante Sica, ex-secretário de Indústria, Comércio e Mineração da Argentina, durante a presidência de Eduardo Duhalde, em 2002, parte da inflação registrada neste primeiro ano do governo Macri ainda está sob impacto do governo anterior.
— A Argentina veio de um processo de emissão muito alto do governo anterior, até 2015 houve aumento de quase 40%, que gerou impacto na inflação. Por outro, a lado a correção de preços relativos e a correção do marco tarifário (no atual governo) também geraram inflação.
Com o novo ministro da Economia (desmembrada do Ministério da Fazenda), Nicolás Dujovne, o governo da Argentina quer recuperar metas que não foram plenamente alcançadas em 2016. O objetivo é reduzir o déficit fiscal para 4,2% do PIB em 2017, 3,2% em 2018,  2,2% em 2019. Ao R7, a assessoria do ex-ministro Prat-Gay afirmou que ele, neste momento, prefere não dar declarações sobre a situação da economia argentina.
Segundo Sica, que é diretor da consultoria Abeceb, uma das mais conhecidas do país, apesar de haver déficit fiscal, não há risco de hiperinflação na Argentina com a política econômica vigente. Ele acredita que em 2017 haverá uma melhora na economia local, que segundo ele, já apontou para uma expansão no último trimestre de 2016.
— Há um programa monetário muito centrado no controle da inflação e isso afasta o risco de hiperinflação. A meta do governo (de uma inflação de 17% em 2017), em princípio, vemos como algo difícil, mas alcançável.
Fonte: R7.com
Imagem: Reuters

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