Zimbábue chegou a ter nota de 100 trilhões para combater a inflação

O Zimbábue passou de uma das economias mais promissoras da África a uma das inflações mais altas do mundo nas últimas décadas e, até hoje, sofre para conseguir um crescimento sustentável.
Nota de cem trilhões de dólares zimbabuanos tinha nada menos do que 14 zeros
Nota de cem trilhões de dólares zimbabuanos tinha nada menos do que 14 zerosReprodução/banknotenews.com

A inflação no país chegou a 231.000.000% ao ano, em 2008. Para se ter uma ideia, o auge da hiperinflação brasileira, registrado em 1993, alcançou 2.500%.

O aumento generalizado dos preços ou a perda de poder aquisitivo da moeda são duas maneiras de ver a hiperinflação, explica Onofre Portella, professor de economia das Faculdades Rio Branco.

— A gente convive todo dia com alguma inflação, o tomate ou o feijão sobem, depois voltam a cair. O problema é quando essa situação se torna um processo, e todos os preços aumentam sem nenhuma causa aparente. Não existe muito consenso entre os economistas, mas consideramos a hiperinflação em torno de 50% ao mês..

Nota de dez trilhões de dólares zimbabuanos
Nota de dez trilhões de dólares zimbabuanos Reprodução/banknotenews.com
Quando isso acontece, os preços perdem qualquer referência de razoabilidade, diz Alexandre Espirito Santo, professor de finanças do Ibmec-RJ.

— Os preços relativos entre bens ou serviços ficam totalmente fora da realidade. Quando há hiperinflação as pessoas de classes de rendas mais baixas sofrem muito mais, porque sua capacidade de comprar bens e serviços essenciais desaba, aprofundando a crise na economia.

O declínio da economia do Zimbábue se dá, em parte, pelas políticas do ex-presidente Mugabe, que incluíam a tomada violenta de fazendas comerciais de proprietários brancos e impressão de dinheiro, que levou à hiperinflação.

Apesar de ser considerado um herói da guerra de independência contra os britânicos, Mugabe não foi um presidente hábil em relação às questões econômicas.

— Na hiperinflação alemã, no pós-1ª Guerra, as pessoas empilhavam dinheiro e amarravam com barbante, independentemente do valor, e fazia compras pelo quilo do dinheiro. Uma situação como esta é provocada por uma grande cisão social, um conflito bélico, guerra interna etc, quando, entre outras coisas, se perde a confiança na moeda.


Santo concorda que esta é a situação comum, mas não a única.

— Em alguns países, esse fenômeno ocorre quando a economia está totalmente indexada, ou seja, os contratos, salários e preços em geral são reajustados pela inflação passada, criando um círculo vicioso. Nesse caso, a tendência é que, no longo prazo, apareça um processo hiperinflacionário, como foi o caso brasileiro na década de 1980.

No caso do Zimbábue, o país tentou combater a crise introduzindo uma nota de 100 trilhões de dólares zimbabuanos. Cem trilhões são o número um seguido de nada menos do que 14 zeros!

A medida se mostrou ineficiente, pois não havia mais confiança na moeda nacional. É uma situação que desorganiza completamente a economia, afirma Portella.

— A moeda perde a sua função de reserva de valor. Moeda é confiança e credibilidade. Eu confio no real e, por isso, eu o aceito. Agora, se alguém quiser me pagar com a moeda do Zimbábue, eu não vou aceitar. Acaba se criando uma situação completamente caótica. Normalmente, em situações como esta, em um primeiro momento, se dolariza a economia.

Foi o que aconteceu com o Zimbábue, que acabou adotando formalmente sistema monetário múltiplo em 2015, com moedas como o dólar americano e o rand sul-africano, que já eram utilizadas no país desde 2009.

Países que viveram processos de hiperinflação precisaram promover um plano econômico para estabilizar a economia, diz Santo.

Nota de 500 milhões de dólares zimbabuanos, com "apenas" oito zeros
Nota de 500 milhões de dólares zimbabuanos, com "apenas" oito zerosReprodução/banknotenews.com
— O Brasil, por exemplo, viveu, na década de 1980 e início da de 1990 um processo assim e precisou adotar o Plano Real, para debelar a inércia de preços e restabelecer a normalidade entre os preços relativos. No Plano Real tivemos que mudar o padrão monetário, com a nova moeda, o Real, entrando em circulação, substituindo a antiga, que estava hiperinflacionada.

Fonte: R7.com

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