Portabilidade de crédito para empresas cai 96% após crise

Empresas enfrentam dificuldades não só em conseguir novos empréstimos mas também em encontrar taxas mais vantajosas para dívidas já exi...


Empresas enfrentam dificuldades não só em conseguir novos empréstimos mas também em encontrar taxas mais vantajosas para dívidas já existentes. Após a chegada do novo coronavírus ao país, o volume de portabilidade de crédito para empresas caiu 96%.
Com a crise causada pela pandemia, o apetite dos bancos para comprar dívidas de outras instituições diminuiu.
Em maio, o valor ficou em R$ 4,7 milhões e alcançou o menor patamar desde janeiro de 2017. Houve queda brusca também na quantidade de operações: foram apenas 17, o menor número de contratos da série.
Em abril, o volume de crédito migrado para outra instituição já tinha sido baixo, com apenas R$ 6,5 milhões transferidos de um banco para outro.
Janeiro de 2017, quando foram portados R$ 2,17 milhões (menor cifra da série), foi um ponto fora da curva na série que começa em 2014, quando houve mudança nas regras que deu maior acesso à modalidade. No mês, o número de operações, no entanto, chegou a 247.
Nos outros meses, o volume mensal ficou acima de R$ 10 milhões e chegou a R$ 415 milhões em dezembro de 2016, maior valor da série.
Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV, pontuou que o empresário não tem conseguido barganhar condições melhores de crédito.
“Com a pandemia, o risco de crédito aumentou. Mesmo com a Selic em baixa, as taxas estão mais altas. Os bancos estão reticentes em conceder novos créditos pela incerteza, e isso se reflete também na aquisição de contratos de outras instituições”, disse.
Para ele, os empreendedores procuram renegociar no próprio banco com o qual têm relacionamento. Muitos pediram o adiamento de parcela, oferecido pelas maiores instituições do país, o que também inviabilizaria a portabilidade.
A maior parte desses contratos foi pactuada em períodos de taxa básica de juros maior.
Desde 2016, a Selic vem em queda e está no menor patamar da história, a 2,25% ao ano. Como ela norteia todas as outras taxas, os empréstimos tomados hoje seriam potencialmente mais baratos.
Mas, na prática, a pandemia da Covid-19 aumentou a possibilidade de inadimplência, e, além de estarem menos propensos a emprestar, os bancos oferecem taxas mais altas por causa do prêmio de risco.
Schiozer diz acreditar que o isolamento também tenha dificultado a vida dos empresários que pretendiam fazer portabilidade, já que muitas vezes precisam ir à instituição para entrega de documentos e outros procedimentos.
“Com as medidas de distanciamento, as pessoas vão menos ao banco. Esse tipo de operação demanda que o cliente vá à agência.”
As regras de portabilidade que facilitaram o acesso à modalidade às famílias, que vigoram desde 2014, ainda não valem para pessoa jurídica.
A norma foi estendida às empresas em resolução editada no fim de 2019 e começaria a valer em 1º de junho. Por causa da pandemia, entretanto, a autoridade monetária decidiu adiar a vigência para 3 de novembro.
Enquanto isso, as empresas não usufruem das mesmas facilidades que as famílias para realizar transferência da dívida para outra instituição.
A principal mudança é que o interessado pode pedir a transferência da dívida apenas ao banco que a comprará, sem ter de pedir autorização à instituição original.
A norma prevê também mais transparência no processo e prazo menor para envio de documentos, o que agiliza a operação. Assim, empresas poderão barganhar taxas menores.
Na visão do economista Paulo Feldmann, professor da USP, os empresários, principalmente os menores, não conseguem crédito desde o início da pandemia, o que também se reflete nos dados de portabilidade.
“Os bancos não querem emprestar às pequenas empresas porque acham que o risco é muito alto. Nem nesse momento que foi pedida ação de solidariedade eles concederam crédito. Com isso, muitos já quebraram”, disse.
Para Márcio Augusto Montella, gerente da área de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), as linhas de socorro oferecidas pelo governo atraem mais empresários no momento do que a migração do crédito para outro banco.
“Entre micro e pequenas empresas, o valor médio das operações é baixo, e o prazo não é tão longo, então não faz tanto sentido fazer portabilidade. Na crise, as linhas com garantia da União são mais vantajosas. Além disso, acredito que há tentativa de renegociação no próprio banco de origem do crédito”, disse.
Antonio Everton, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio), concorda que as linhas subsidiadas são as mais procuradas.
“O programa de financiamento das folhas de pagamento ganhou fôlego em maio. Os comerciantes procuram se financiar em meio à crise para depois pensar no que fazer.”
Para ele, a pandemia evidenciou problemas como concentração bancária e difícil acesso ao crédito.
O Banco Central afirmou não ter estudos sobre o comportamento recente da portabilidade. “Atualmente não há necessidade de que a portabilidade de operações de crédito para pessoa jurídica seja realizada de forma eletrônica, por meio de sistema de registro de ativos autorizado pelo Banco Central”, disse por meio de nota.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) pediu que a Folha questionasse diretamente os bancos.
Os cinco maiores –Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa– não quiseram comentar. O Itaú e o Banco do Brasil sugeriram que a reportagem procurasse a Febraban.
Folha de S.Paulo


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