Teste de Covid na Venezuela é 40 vezes maior que o salário mínimo no país

 





Um paciente com sintomas de Covid-19 na Venezuela precisa ter de 40 a 100 dólares (R$ 215 a R$ 538) para pagar um exame para determinar se contraiu a doença ou, caso contrário, fazer uma peregrinação pelos centros públicos procurando um improvável teste gratuito ou finalmente optar pelo autodiagnóstico. As informações são da Agência EFE.


Os testes, seja o RT-PCR ou de antígeno, são a melhor forma de corroborar a presença do vírus Sars-CoV-2 no corpo, mas vários especialistas manifestaram preocupação com as dificuldades que os venezuelanos estão enfrentando para ter acesso a esses exames.


E não é para menos: o salário mínimo mensal venezuelano é de 7 milhões de bolívares, o que equivale a R$ 13,41, quantia com a qual nenhum cidadão pode pagar os custos de um teste de Covid-19 nem, menos ainda, o tratamento para aliviar os sintomas da doença.


O presidente da Sociedade Venezuelana de Doenças Infecciosas, Manuel Figuera, está ciente dessa dificuldade e declarou à Agência Efe que o Estado deve garantir esses testes gratuitos, “algo que, infelizmente, não fez”, deixando os cidadãos indefesos contra a pandemia.


Sem testes nem registros

Figuera disse que atualmente os pacientes com sintomas de Covid-19 devem percorrer diferentes CDIs (Centros de Diagnóstico Integral), hospitais públicos e escritórios da Previdência Social para encontrar um local onde seja realizado o teste de Covid-19, já que os exames não estão disponíveis de maneira regular nesses centros.


“Antigamente, até em centros privados faziam exames desse tipo, mas deixaram de fazer há muito tempo. Hoje em dia, infelizmente, as pessoas têm principalmente exames particulares, que, do ponto de vista epidemiológico e estatístico, não são incluídos nas estatísticas nacionais”, destacou o também infectologista.


Dessa forma, o especialista somou o problema da subnotificação de casos positivos à limitação do acesso aos testes para descartar a Covid-19.


Nesse caso, Figuera se referiu ao surgimento de novos laboratórios que funcionam em escritórios comerciais, hotéis e até estacionamentos e oferecem o teste de Covid-19 sem que os dados de casos positivos sejam enviados às instâncias do Executivo Nacional, que ignora esses resultados em sua contagem oficial.


Essa é uma das razões pelas quais, nos últimos dias, a Sociedade Venezuelana de Doenças Infecciosas recomendou a ampliação da disponibilidade de testes diretos gratuitos para detectar a Covid-19.


Nesse sentido, os médicos emitiram um comunicado em que destacaram a importância de “ampliar a disponibilidade gratuita de testes” para detecção de Covid-19, “para que pessoas sintomáticas e seus contatos possam ser isolados em tempo hábil em caso de positividade”, já que a falta de diagnóstico também influencia a propagação do vírus.



“O mais importante é que a pessoa que apresente sintomas desde o primeiro dia seja testada e não espere, porque, se um caso positivo for detectado desde o primeiro dia e for isolado, você evitará mais infecções”, explicou Figuera.


Sem opção

Andrea González, jornalista venezuelana de 27 anos, vivenciou a jornada de contrair a Covid-19 e não conseguir arcar com as despesas causadas pelo vírus.


Os sintomas apareceram nos primeiros dias de 2022, quando a situação econômica de González não era boa. Ela tinha apenas R$ 538 quando ela e seu parceiro ficaram doentes e tiveram que optar por comprar remédios, comida e itens pessoais ou pagar exames para confirmar que tinham Covid-19.


“O mais difícil foi fazer o teste, porque eu tinha condições, mas nem todo mundo pode pagar R$ 134 por um teste. Agora imagine pagar R$ 538 por um teste molecular, porque eu fiz o rápido e ele não é 100% confiável”, relatou à Efe.

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